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Broderagem com o amigo

19 de out.
4 min de leitura

O sol de dezembro queimava o asfalto quando Rafael estacionou o carro na frente da casa de praia da família.


Dois homens que curtem broderagem sem camisa e de sunga riem num deck de madeira diante da praia e do mar, com palmeiras ao fundo.

Dezoito meses tinham se passado desde a última vez que ele vira Thiago — tempo suficiente para que a saudade se transformasse em algo quase físico, uma coceira sob a pele que nenhuma conversa por vídeo conseguia aliviar.


Thiago apareceu na porta antes mesmo de Rafael desligar o motor, e o abraço que trocaram no jardim foi daqueles que dizem tudo sem precisar de palavras.


Eram amigos desde os treze anos, quando dividiram o mesmo tatame na academia do bairro, e a amizade sobreviveu à distância, aos relacionamentos, a tudo.


— Cara, você tá enorme — Rafael riu, dando um soco leve no ombro do amigo.

— Nadando todo dia, irmão. Você que sumiu.


A semana na praia era uma tradição que os dois mantinham desde o ensino médio: sete dias de cerveja, praia e conversas até tarde.


O que Rafael não esperava era que, naquela primeira noite, a conversa tomasse um rumo diferente.


Estavam no deck, o som do mar preenchendo os silêncios, quando Thiago soltou:


— Lembra daquele verão em que a gente fez aquela promessa?


Rafael engoliu seco. Lembrava. Tinha dezenove anos, os dois bêbados de vinho barato, e Thiago tinha perguntado, com aquela ousadia que só a juventude permite, se ele nunca tinha sentido curiosidade.


"Se um dia a gente estiver solteiro e bêbado o suficiente", tinham dito, "a gente experimenta. Sem pressão, sem estranheza."


— Eu lembro — Rafael respondeu, a voz mais baixa do que pretendia.


Thiago se virou na cadeira, os olhos escuros encontrando os dele. — Tô solteiro.

— Eu também.


O beijo começou hesitante, quase casto, dois amigos testando uma fronteira que sempre souberam que existia. Mas quando Thiago aprofundou o beijo, a mão grande subindo pelas costas de Rafael, algo desabrochou.


Anos de palavras não ditas, de olhares que se desviavam rápido demais, de pensamentos que Rafael empurrava para o fundo da mente nos momentos mais solitários.


— A gente não precisa — Thiago sussurrou contra a boca dele, mesmo enquanto o puxava para dentro de casa.


— Eu quero — Rafael respondeu, e a honestidade da própria voz o surpreendeu.


No quarto, à meia-luz do abajur, Thiago tirou a camisa e Rafael sentiu o ar faltar. Conhecia aquele corpo de vista — piscina, vestiário, praia — mas agora tinha permissão para olhar, para tocar.


Os ombros largos, o peito definido, a linha de pelos que descia pela barriga.


Thiago o beijou de novo, mais seguro agora, e suas mãos exploraram cada centímetro de Rafael com uma lentidão que era quase reverência.


Quando os dois estavam nus sobre os lençóis, Rafael entendeu por que os comentários no vestiário sempre vinham com um sorriso enviesado.


Thiago era grande. Muito grande. E Rafael, que sempre se considerou experiente, sentiu uma pontada de nervosismo.


— A gente vai com calma — Thiago disse, lendo o rosto dele. — Confia em mim.


E Rafael confiou. Confiou quando Thiago o preparou com paciência, os dedos generosos e o beijo no pescoço distraindo a tensão.


Confiou quando, finalmente, o amigo o penetrou devagar, centímetro por centímetro, parando a cada gemido para perguntar se estava bom.


— Tá... tá ótimo — Rafael ofegou... continua.


O ritmo que encontraram juntos era de quem se conhecia há uma vida. Thiago sabia quando acelerar, quando recuar, quando sussurrar no ouvido de Rafael palavras que ele nunca imaginou ouvir daquele amigo.


E Rafael, entregue, descobriu que a intimidade de anos tornava tudo mais intenso — não havia vergonha ali, só confiança e um desejo que tinha esperado tempo demais.


— Olha pra mim — Thiago pediu, e Rafael abriu os olhos.


O que viu nos olhos do amigo não era só desejo. Era algo mais antigo, mais profundo, algo que os dois provavelmente vinham guardando desde os dezenove anos e a primeira pergunta bêbada.


Quando Rafael chegou, foi com o nome de Thiago nos lábios e a mão do amigo entrelaçada na sua.


Thiago veio logo depois, o corpo tremendo sobre o dele, e por um longo momento os dois ficaram ali, suados, silenciosos, ouvindo o mar lá fora.


— Então — Thiago disse, por fim, a voz rouca. — A promessa foi cumprida.


Rafael riu, virando-se para encará-lo. — E agora?

— Agora a gente tem seis dias de praia pela frente.

— E depois?


Thiago o beijou, devagar, sem pressa.

— Depois a gente descobre.


O sol de dezembro continuava queimando lá fora, mas dentro do quarto, algo novo tinha começado — e nenhum dos dois estava com pressa de terminar.


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É importante ressaltar que todos os contos eróticos apresentados aqui são obras de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, lugares ou eventos reais é mera coincidência. As histórias são criadas com o objetivo de explorar temas de sensualidade e desejo, e não devem ser interpretadas como representações da realidade.

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