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Posso usar camisinha feminina no sexo anal?

A camisinha feminina foi criada para ser usada na vagina, mas, na prática, muitas pessoas têm dúvidas se ela também serve para o sexo anal entre homens.


preservativo feminino sexo anal

Em aplicativos, fóruns e rodas de conversa, o tema aparece como possível alternativa à camisinha externa, seja por curiosidade, conforto ou busca de maior autonomia de quem recebe a penetração.


Neste artigo, vamos explicar o que a ciência já sabe sobre o uso da camisinha interna no ânus, quais são os riscos, o que ainda não foi comprovado e quais estratégias seguem sendo as mais seguras para o sexo anal entre homens.


O que é camisinha feminina e como ela funciona


A camisinha feminina, também conhecida como "camisinha interna" é um preservativo em formato de “saquinho”, feito de materiais como nitrilo ou poliuretano e com dois anéis: um que fica dentro do corpo e outro que permanece do lado de fora, cobrindo a entrada da cavidade.


Diferentemente da camisinha externa, que veste o pênis, a interna é colocada no interior da vagina antes ou no início da relação sexual.


Ela funciona como uma barreira física, impedindo o contato direto entre mucosas e a troca de fluidos, ajudando a reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez em relações vaginais.


Em uso vaginal, quando empregada corretamente, sua eficácia é considerada semelhante à da camisinha externa, com a vantagem de dar mais controle à pessoa que recebe a penetração.


Ela é segura no sexo anal entre homens?


Quando o assunto é sexo anal entre homens, o cenário muda. A camisinha interna foi testada, regulamentada e aprovada especificamente para uso vaginal, ou seja, sua indicação “oficial” não inclui o ânus.


Alguns estudos com homens que fazem sexo com homens mostram que uma parte deles já usou ou testou a camisinha interna no sexo anal, mas essa prática ainda é pouco frequente e cercada de dúvidas.


Relatos apontam problemas como desconforto, deslocamento do preservativo, vazamento e, em alguns casos, dor ou sangramento em quem recebe a penetração, o que acende um alerta de segurança.


Por isso, até o momento, não há consenso científico nem aprovação regulatória clara que garanta que a camisinha interna seja tão segura quanto a camisinha externa específica para sexo anal.


Vantagens, limitações e riscos de usar a camisinha interna no ânus


Do lado das possíveis vantagens, a camisinha interna pode parecer interessante para quem deseja mais autonomia na proteção, já que é a pessoa receptora que coloca o preservativo no próprio corpo.


Ela também pode ser inserida antes da relação e não depende da ereção, o que, na teoria, poderia tornar a dinâmica sexual mais espontânea.


No entanto, quando levamos em conta o uso anal, pesam mais as limitações e riscos conhecidos. A anatomia e a sensibilidade do canal anal são diferentes da vagina: o ânus é menos lubrificado, mais estreito e mais suscetível a microfissuras com atrito.


Isso significa que qualquer preservativo usado no ânus precisa garantir boa fixação, lubrificação adequada e o mínimo de atrito ou dobrinhas que possam machucar ou romper o material.


No caso da camisinha interna, ainda não há padronização de uso anal nem estudos suficientes demonstrando taxa de falha, conforto e segurança comparáveis à camisinha externa em sexo anal.


Há também o risco concreto de o pênis “escapar” para fora do preservativo interno durante a penetração se ele não estiver bem posicionado.


Por isso, muitos especialistas em saúde sexual recomendam cautela e, em geral, não colocam o uso anal da camisinha interna como primeira escolha de proteção.


Cuidados básicos se a pessoa decidir usar


Se, mesmo ciente das limitações, alguém optar por experimentar a camisinha interna no sexo anal, alguns cuidados são essenciais:


  • Usar bastante lubrificante à base de água ou silicone na parte externa da camisinha e na região anal.

  • Inserir com calma, garantindo que o anel interno fique totalmente dentro do canal e o anel externo permaneça para fora, cobrindo a entrada do ânus.

  • Nunca usar camisinha interna e externa ao mesmo tempo, para evitar atrito entre os dois materiais, que aumenta o risco de rompimento.

  • Interromper a relação em caso de dor intensa, sangramento, sensação de que o preservativo saiu do lugar ou de que o pênis não está deslizando dentro da camisinha.


Mesmo com todos esses cuidados, é importante reforçar no texto que essa ainda não é uma forma de proteção anal oficialmente validada e que a pessoa assume um risco maior em comparação ao uso correto de camisinha externa específica para sexo anal.


Qual é hoje a forma mais segura de fazer sexo anal?


Na prática, a estratégia mais segura e recomendada para sexo anal entre homens continua sendo a combinação de camisinha externa e lubrificante adequado.


A camisinha externa de látex ou materiais alternativos, usada desde o início da penetração e trocada em qualquer situação de rompimento ou troca de parceiro, segue como padrão ouro de proteção mecânica.


O uso generoso de lubrificante à base de água ou silicone reduz o atrito, diminui o risco de ruptura do preservativo e torna a experiência mais confortável, o que também ajuda na adesão ao uso constante da camisinha.


Além disso, a proteção hoje é pensada em camadas. Para homens gays e bissexuais, a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV é uma ferramenta poderosa, que reduz muito o risco de infecção pelo vírus quando tomada corretamente.


Já a profilaxia pós-exposição (PEP) é uma opção de emergência para situações de risco, como rompimento da camisinha ou relação sem proteção.


É fundamental deixar claro para o leitor que PrEP e PEP não substituem a camisinha, porque não protegem contra outras ISTs como sífilis, gonorreia, clamídia, HPV e hepatites.


A combinação ideal, quando possível, é: camisinha externa + lubrificante + PrEP (para quem se enquadra nas recomendações) + testagem regular.


Saúde sexual, testagem e proteção em camadas


Falar de camisinha interna no sexo gay também é uma oportunidade para ampliar o olhar sobre saúde sexual como um todo.


Em vez de tratar o tema apenas como “pode” ou “não pode”, vale abordar o impacto real das ISTs na comunidade LGBT+, o papel da informação de qualidade e como o autocuidado passa por decisões conscientes de proteção.


Orientar a realização de testes periódicos de HIV e outras ISTs, mesmo para quem usa camisinha com frequência, ajuda a normalizar o cuidado e tira o peso do estigma.


Também é importante discutir negociação de proteção em encontros casuais, relacionamentos abertos e sexo sob efeito de álcool ou outras substâncias, situações em que a camisinha costuma ser mais facilmente abandonada.


Trazer falas de especialistas ou dados de serviços de saúde e ONGs pode reforçar a credibilidade do artigo.


E, se o veículo dialogar muito com homens trans, pessoas não binárias e travestis, vale pontuar que o conceito de “camisinha feminina” é limitado, sugerindo o uso do termo “camisinha interna” para incluir quem não se identifica com a categoria “mulher”, mas pode precisar desse tipo de proteção.


Sua saúde sexual


Se você tem vida sexual ativa, seja em relacionamentos fixos ou encontros casuais, cuidar da sua saúde sexual é tão importante quanto escolher bem seus parceiros.


Converse com um profissional de saúde sobre qual combinação de métodos faz mais sentido para você – camisinha externa, lubrificante, PrEP, PEP – e tire todas as suas dúvidas sobre o uso de preservativos, inclusive o interno.


Aproveite para agendar um teste de HIV e outras ISTs no posto de saúde, serviço especializado ou ONG mais próxima. Informar-se e se testar regularmente é um gesto de cuidado consigo mesmo e com quem se relaciona.

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