Remédio para retardar a ejaculação: opções, riscos e como escolher o melhor tratamento
- Redação Uomini

- há 2 dias
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Descubra quais remédios realmente ajudam a retardar a ejaculação, como funcionam, efeitos colaterais, alternativas comportamentais e quando procurar um urologista especializado.

O que é ejaculação precoce, afinal?
A ejaculação precoce não é só “gozar rápido”, mas um conjunto de fatores que envolvem tempo, falta de controle e incômodo pessoal do homem e/ou do casal.
A definição mais aceita hoje considera quando a ejaculação acontece sempre ou quase sempre antes da penetração ou até cerca de 1–2 minutos após a penetração, de forma persistente por pelo menos 3 a 6 meses.
Além disso, é marcada pela dificuldade de retardar o orgasmo na maioria das relações sexuais e por consequências negativas, como frustração, vergonha, ansiedade e até evitação da intimidade.
Estudos indicam que até cerca de 30% dos homens vão se preocupar com ejaculação precoce em algum momento da vida, o que mostra que é um problema frequente, mas ainda rodeado de tabu.
Um ponto central dessa definição é o incômodo: se o homem e o parceiro(a) estão satisfeitos com a dinâmica sexual, a ejaculação rápida pode nem ser considerada um problema que exija tratamento médico.
Tipos de tratamento: medicamento x terapia
O tratamento da ejaculação precoce pode ser medicamentoso, comportamental, psicológico ou uma combinação das três abordagens.
Especialistas ressaltam que, durante muito tempo, medicamentos e psicoterapia foram colocados como opostos, quando o melhor resultado costuma aparecer justamente na combinação de remédio com técnicas de controle da ejaculação.
Em geral, nos casos de ejaculação precoce “primária” (desde o início da vida sexual), o tratamento medicamentoso costuma ser preferido, enquanto nos casos “secundários” (quando o problema surge depois de um período de vida sexual satisfatória), muitas vezes se começa por estratégias comportamentais e terapia sexual.
Entre as estratégias sem remédio, costumam entrar técnicas como “start-stop”, compressão, exercícios de Kegel, mudança de foco sensorial e uso de preservativos especiais para reduzir a sensibilidade.
Paralelamente, tratamentos psicológicos ajudam a lidar com ansiedade, depressão, conflitos de relacionamento e crenças de desempenho que podem piorar o quadro.
Remédios orais para retardar a ejaculação
Antidepressivos ISRS (uso diário ou sob demanda)
Antes de existirem medicamentos específicos para ejaculação precoce, urologistas passaram a usar alguns antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) de forma “off-label” (fora da indicação original).
Esses fármacos aumentam o nível de serotonina no cérebro, o que ajuda a retardar o reflexo ejaculatório e prolongar o tempo até a ejaculação. Entre os mais usados estão:
Paroxetina.
Sertralina.
Citalopram.
Clomipramina (tricíclico com ação serotoninérgica).
Estudos mostram que essas drogas, em regime diário, podem aumentar de forma significativa o tempo até a ejaculação, mas também estão associadas a taxas relativamente altas de efeitos colaterais incômodos, como queda de libido, náuseas, sonolência, alterações gastrointestinais e disfunção erétil.
Por isso, o uso precisa ser individualizado e sempre acompanhado por médico, geralmente urologista ou psiquiatra.
Dapoxetina: o medicamento específico para ejaculação precoce
A dapoxetina é um ISRS desenvolvido especificamente para tratar ejaculação precoce, com ação rápida e curta, para uso sob demanda. Ela é tomada 1 a 3 horas antes da relação sexual, não devendo ser usada mais de uma vez ao dia.
Ensaios clínicos mostram que a dapoxetina aumenta o tempo de latência intravaginal, melhora a sensação de controle da ejaculação e aumenta a satisfação sexual comparada ao placebo.
No Brasil, a dapoxetina é obtida via prescrição médica, muitas vezes como medicamento manipulado, podendo ser prescrita em plataformas de telemedicina com urologistas.
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náusea, tontura, cefaleia e desconforto gastrointestinal, o que torna indispensável avaliar contraindicações, interações medicamentosas (especialmente com outros psicotrópicos) e doenças crônicas.
Tratamentos locais e “remédios naturais”: o que realmente funciona?
Outra frente importante são os tratamentos locais aplicados na glande, como géis, sprays ou pomadas à base de lidocaína e/ou prilocaína, que atuam como anestésicos locais para reduzir a sensibilidade peniana.
Esses dessensibilizantes são usados sob demanda, alguns minutos antes da relação, e evidências clínicas indicam que eles podem aumentar o tempo até a ejaculação com um perfil de segurança razoável quando corretamente usados.
O ponto de atenção é que, ao reduzir demais a sensibilidade, alguns homens relatam perda de excitação, dificuldade em manter a ereção ou redução do prazer. Há também risco de anestesiar a parceira(o) se o produto não for bem removido antes da penetração, dependendo da formulação.
Por isso, a orientação médica é importante para escolher concentração, modo de uso e produto adequado, e, em muitos casos, esses anestésicos são combinados com terapia comportamental.
Já em relação a “remédio natural” para retardar a ejaculação, não há evidências científicas robustas de que suplementos ou plantas isoladas resolvam o problema de forma consistente.
O que realmente ajuda é ajustar estilo de vida: alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física regular e cuidado com saúde mental, especialmente no controle de ansiedade e depressão, que têm impacto direto na função sexual.
Como escolher o melhor remédio (e quando procurar médico)
Não existe um único remédio “melhor” para todos; a escolha passa por diagnóstico, tipo de ejaculação precoce (primária ou adquirida), presença de outras disfunções (como disfunção erétil), doenças associadas e prioridades do paciente.
Para alguns homens, a dapoxetina sob demanda é mais prática, especialmente quando não querem uso diário de antidepressivos; para outros, um esquema contínuo com paroxetina ou sertralina responde melhor.
Em certos casos, géis anestésicos são uma boa alternativa ou complemento, sobretudo quando a sensibilidade da glande é um fator importante no quadro.
A avaliação com urologista ou médico especializado em sexualidade é essencial para:
Confirmar o diagnóstico e descartar outras causas, como prostatite, alterações hormonais ou doenças crônicas.
Discutir opções de tratamento (medicamentos orais, tópicos, terapia sexual, técnicas comportamentais) e ajustar a dose.
Monitorar efeitos colaterais, interações e momento certo de reduzir ou suspender a medicação, muitas vezes após 6–8 semanas de bons resultados, de forma gradual.
Para homens que convivem com o problema há anos, o relato clínico mostra que, ao associar técnica comportamental, tratamento medicamentoso e acompanhamento, é possível aumentar o tempo de duração em múltiplos da performance inicial, com melhora na autoestima e na qualidade do relacionamento.




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