Grindr vai exigir reconhecimento facial e verificação de idade de todos os usuários a partir de março
- Redação Uomini

- há 2 dias
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Grindr vai passar a exigir uma etapa obrigatória de verificação de idade com biometria (selfie em vídeo) e, quando necessário, documento oficial, em linha com medidas que já vêm sendo adotadas em países como Reino Unido, Austrália e, mais recentemente, Brasil.

A promessa da empresa é reforçar a segurança para manter menores fora do app, com procedimento rápido, criptografado e com exclusão dos dados após a checagem.
Contexto: por que o Grindr está apertando o cerco
Nos últimos anos, o Grindr tem sido pressionado por autoridades e por organizações de proteção à infância devido a casos de uso do app por menores de 18 anos e a denúncias de abusos.
Em vários países, leis de segurança online passaram a exigir “verificações de idade altamente eficazes” em plataformas com conteúdo adulto, o que inclui aplicativos de encontros LGBTQIA+.
Para se adequar a esse cenário e reforçar o discurso de que é um espaço exclusivo para adultos, o Grindr vem implementando sistemas de age assurance (garantia de idade) baseados em biometria facial e, em alguns casos, no envio de documento oficial.
Como vai funcionar a verificação de idade no Grindr
A checagem de idade no Grindr é apresentada como um processo único por conta e obrigatório para quem quiser continuar usando o app nas regiões onde a medida entra em vigor. Em linhas gerais, o fluxo é o seguinte:
Liveness check (prova de vida): o usuário grava um pequeno vídeo selfie para mostrar que é uma pessoa real e não uma foto ou gravação.
Estimativa de idade: a tecnologia da empresa parceira (como a FaceTec) analisa o rosto e estima se a pessoa aparenta ter 18 anos ou mais.
Verificação com documento: se o sistema não conseguir confirmar que o usuário é maior de idade, pode ser exigido o envio de um documento oficial com foto (RG, CNH, passaporte, etc.).
Bloqueio em caso de recusa ou falha: quem não completar o processo ou tiver idade incompatível perde o acesso ao aplicativo na região onde a regra é aplicada.
Segundo o Grindr, o procedimento precisa ser feito apenas uma vez por conta; novos usuários passam pela checagem no cadastro e, quem já tem perfil, é solicitado ao abrir o app após a atualização.
Reconhecimento facial, biometria e privacidade
O ponto mais sensível da novidade é o uso de dados biométricos, como vídeo selfie e imagem do rosto, para liberar o acesso a um app voltado ao público LGBTQIA+. Em suas políticas, o Grindr afirma:
Utilizar a tecnologia apenas para fins de verificação de idade (age assurance).
Criptografar os arquivos durante o processo e excluí‑los permanentemente depois da checagem.
Não empregar esses dados para publicidade, personalização de conteúdo ou criação de perfis comerciais.
Ao mesmo tempo, organizações de direitos digitais e parte da comunidade LGBTQIA+ chamam atenção para riscos adicionais, especialmente em países onde a homossexualidade ainda é criminalizada ou fortemente estigmatizada, e onde vazamentos de dados poderiam ter consequências graves.
O que muda para os usuários a partir de março
Com a implementação da verificação de idade via reconhecimento facial e, se preciso, documento, a experiência de quem usa o Grindr tende a mudar em alguns pontos práticos:
Entrada obrigatória pelo “check de idade”: em março, quem abrir o app deverá concluir o processo para voltar a ver e enviar mensagens.
Menos perfis de menores (em tese): a biometria dificulta o acesso de pessoas com menos de 18 anos, diminuindo o risco de conversas e encontros com adolescentes.
Barreiras para quem tem medo de se identificar: usuários que dependem do anonimato por motivos de segurança podem hesitar em fornecer rosto e documento, mesmo com a promessa de exclusão dos dados.
Aumento do debate sobre segurança digital: a medida deve acender discussões sobre proteção de dados, confiança em empresas de tecnologia e o equilíbrio entre segurança e privacidade no universo dos apps de pegação gay.
Para quem pretende continuar no Grindr, o principal é se preparar para fazer a verificação uma única vez e, ao mesmo tempo, revisar configurações de segurança digital, como senha forte, e‑mail exclusivo e uso de bloqueio no próprio celular, reduzindo a chance de que terceiros acessem o app ou suas conversas.




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